Sonata em Punk Rock

Título: Sonata em Punk Rock
Série: Cidade da Música
Volume: 1
Páginas: 300
Autor: Babi Dewet
Ano: 2016
Editora: Gutenberg (cortesia da mesma)
Compre: Submarino Americanas - Saraiva 
Adicionem: Skoob
Sinopse: Por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de rock? Essa sempre foi a dúvida de Valentina Gontcharov. Entre o trabalho como gerente do mercado do bairro e as tarefas de casa, o sonho de viver de música estava, aos poucos, ficando em segundo plano. Até que, ao descobrir que tem ouvido absoluto e ser aceita na Academia Margareth Vilela, o conservatório de música mais famoso do país, a garota tem a chance de seguir uma nova vida na conhecida Cidade da Música, o lugar capaz de realizar todos os seus sonhos.No conservatório, Tim, como prefere ser chamada, terá que superar seus medos e inseguranças e provar a si mesma do que é capaz, mesmo que isso signifique dominar o tão assustador piano e abraçar de vez o seu lado de musicista clássica. Só que, para dificultar ainda mais as coisas, o arrogante e talentoso Kim cruza seu caminho de uma forma que é impossível ignorar. Em um universo completamente diferente do que estava acostumada, repleto de notas, arpejos, partituras, instrumentos e disciplina, Valentina irá mostrar ao certinho Kim que não é só ele que está precisando de um pouco de rock’n’roll, mas sim toda a Cidade da Música.

Oie pessoal! Tudo bem com vocês?

Hoje trago a resenha de um livro simplesmente brilhante e que amei demais realizar a leitura!

Sonata em Punk Rock, era tudo que eu não esperava, sabem aquele preconceito básico que vive na gente? Eu tenho contra autores que fazem muito sucesso, mas não com eles como pessoas, mas sim com seus livros.

Pois tive muitas experiências desagradáveis onde eu lia um livro que todo mundo amava e eu acabava não gostando, por isso sempre me mantinha afastada e com certo receio contra esses tipos de livros.

Até que uma amiga minha pediu que eu solicitasse esse livro para ela, como temos essa mania louca de se trocar e dar livros, solicitei-o para a editora Gutenberg, e não sabia o que esperar da história.

Sabia que a autora Babi Dewet era muito querida, pois já tinha trocado uma ideia com ela uma vez, mas nunca havia lido algo seu, mas sabia que fazia um sucesso estrondoso e eis o que aconteceu...

O livro chegou terça-feira, dia sete de março de dois mil e dezessete, avisei minha amiga para ela saber que o livro já estava comigo e resolvi começar a lê-lo! Pensem em uma pessoa que devorou trezentas páginas em UM DIA! Fui eu! (risos)

Fiquei muito feliz de ter amado a história da Babi, foi uma obra que tocou no fundo da minha alma, principalmente por ser sobre música.

Como todos sabem sou Violinista e tenho grandes sonhos e objetivos nesse ramo e Sonata Punk Rock, nos mostra exatamente isso pessoas correndo atrás de seus sonhos.

Algo que amo demais na música clássica é que ela não tem preconceitos, você pode ser alto, baixo, gordo, magro, negro, branco, ser tatuado, ter piercings  que você não será julgado por isso.

Quando falamos em música clássica logo nos vem na cabeça: música de elevador, para dormir, música chatas, sei disso porque já tive esse pensamento e quando me apaixonei pelo som que o Violino reproduz, e descobrir o quão grande esse mundo era, meus pensamentos sobre isso mudaram.

Consegui entender e compreender tudo o que a autora quis nos passar com a sua história, Valentina, ou Tim como gosta de ser chamada, tinha esse mesmo pensando que música clássica era chata, a única coisa que ela queria era ser uma grande musicista tocando seu violão e sua guitarra.

Mas quando ela foi aceita num dos maiores conservatórios do Brasil a Academia Margareth Vilela, ela vê seu mundo aos poucos ir mudando, ela entrou no lugar e viu que era tudo novo, principalmente por vir de uma classe média, por ter passado necessidades durante toda a sua vida, e chegar num lugar onde todos tem dinheiro para dar e vender e que o local é enorme e tudo com tecnologia de última geração, ela teve que se esforça e se manter firme no que ela acreditava.

O Punk Rock corria pelas suas veias, mas esse estilo musical não era muito bem visto no conservatório, eles prezavam o ensino da musica clássica, como se não houvesse outro gênero musical.

Falando assim, parece que o local era parado no tempo, mas quanto mais nos aprofundávamos no enredo enxergávamos tudo em notas e som musicais, víamos pessoas de tudo que era lugar tocando tudo que era gênero em instrumentos clássicos.

Parece loucura, mas é a pura realidade, você pode tocar o que quiser em um instrumento clássico, pode tocar rock, pagode, bolsa nova, MPB, TUDO E MAIS UM POUCO.

Por mais que a fachada do local se parecesse completamente clássico, aos poucos íamos notando o que ele tinha de diferente, o que ele poderia nos proporcionar.

Tim entrou lá com um objetivo, seguiu com ele até o fim, mas aos poucos foi aprimorando-o com o passar do tempo, ela precisava para poder seguir no conservatório estudar um instrumento clássico, havia diversos para a sua escolha, mas por algum motivo ela caiu/escolheu no/o Piano.

Ela nunca havia tocado no instrumento, a única coisa que ela tinha ao seu favor era à força de vontade e o ouvido absoluto que permitia que ela reconhecesse as notas musicais em qualquer instrumento e pudesse reproduzi-la mesmo nunca tendo tocado o instrumento em si.

Então imaginem uma personagem que teve que correr atrás do prejuízo para poder ser aprovada no semestre e continuar no local, e é aqui que entra o Kim, Tim já o conhecia desde o seu primeiro dia no conservatório por algum motivo do destino foi ela que ajudou ele numa situação bem complicada e com isso ela tinha uma carta na manga para conseguir a ajuda do melhor pianista do lugar.

Kim é coreano (lindo de morrer, suspirando aqui), foi adotado quando criança pela dona do conservatório e assim cresceu no lugar e com a pressão sobre seus ombros para ser mais do que perfeito no que fazia.

Mas por mais que isso fosse bem ruim para qualquer um, até mesmo para o Kim, ele gostava do que fazia, tocar fazia com que ele se sentisse livre, ele nunca foi muito sociável, sempre preferiu ficar sozinho que na presença de outras pessoas, e a música lhe proporcionava isso até a chegada da Tim e com ela seu pedido de ajuda.

Bom, sabem quando vocês amam demais uma história e não sabem por onde começar apontando tudo o que amou? Sou eu neste momento, tentando escrever essa resenha para vocês.

Eu já reli esse livro três vezes, sem brincadeira e em todas às vezes fiquei encantada com o enredo, Babi girou em torno do que a música é para as pessoas, ela descrevia sentimentos, emoções, pensamentos em forma de música, mostrava o quanto ela ajudava as pessoas e o quão bem ela fazia para quem a escutava e tocava.

Por exemplo, Kim tem déficit de atenção, e por isso sua cabeça vive bagunçada e perdida e para descrever isso a autora citava em forma de instrumentos musicais ou com a música em si, como nos exemplos abaixo, o que ele estava sentindo em determinados momentos:
“Kim continuava a ouvir mentalmente a melodia de Schumann e, de repente, da peça para o piano começou a ouvir uma orquestra inteira. Sentiu a combinação de cada nota, cada instrumento, cada pausa.”
“Sua mente era uma explosão. Schumann e Stravinsky disputando quem tocaria mais alto, e aquilo parecia um reflexo completo de tudo o que ele era.”
“O coração dele fazia barulho de bumbos e percussão, não se aguentando dentro do peito, e sua cabeça parecia ecoar milhares de músicas diferentes ao mesmo tempo.”
Eu consegui sentir junto com os personagens tudo o que nos era descrito, são poucos os romances que me fazem entra na história, me fazer sentir parte daquilo e Sonata em Punk Rock conseguiu.

O livro fez despertar dentro de mim um sonho que já estava quase adormecido, desanimado pela falta de condições de mantê-lo, mas lendo e acompanhando a história desses personagens, eu me anime, acordei meu sonho e enxerguei que é possível sim, mesmo nas dificuldades.

Outra coisa que amei demais no livro é que a autora mostrou que o preconceito está nas pessoas em si, não em algo, explica isso Nay, porque ficou confuso, calma lá galera! (risos)

Lembram lá em cima que citei que a música clássica não tem preconceitos? Então, é disso que estou falando, notávamos nitidamente na história que eram as pessoas em si que emanavam o preconceito, víamos e sentíamos o desprezo delas contra algumas pessoas, sem motivos, sem ter por que.

Infelizmente a música, os livros, a cultura em si deveria unir as pessoas por um objetivo em comum: o amor por aquilo. Mas muito pelo contrário, as pessoas acabam se afastando e criando pré-julgamentos, preconceitos contra os outros, sem realmente conhecê-los.

Eu mesma fiz isso contra esse livro? Querem exemplo mais real do que estou falando do que isso?

No livro víamos isso em relação à classe social das pessoas, quem tinha dinheiro desprezava quem tinha de menos, afastavam pessoas muito boas de si por terem vergonha de alguém que era igual a eles, mas com menos dinheiro.

Todos eram muitos talentosos, todos lutavam pelas mesmas coisas, mas infelizmente em vez de se juntarem para conquistarem isso junto eles se afastavam.

Temos que aprender que o Sol NASCE para TODOS! Não precisamos passar por cima de ninguém, não precisamos humilhar ninguém para conseguir o que desejamos o que sonhamos.

E Sonata em Punk Rock é brilhante simplesmente por nos apontar isso nu e cru, a realidade das pessoas! Tim destoava no meio de um monte de pessoas ricas e “bem vestidas”, ela tinha uma moda própria, ficava quieta na dela, tinha convicções e sonhos e os alcançaria em cima do que o Punk Rock havia lhe ensinado: não se importe com a opinião de ninguém e principalmente viva sua vida sem prejudicar ninguém! 

Querem conselhos mais sábios que esses!?  

Eu não tenho palavras para agradecer a autora por ter criado essa história simplesmente fantástica, por abrir os olhos de muitas pessoas que julgam sem realmente conhecer ou saber sobre o que estão julgando.

Aprendi grandes lições acompanhando a história da Tim e do Kim, dois personagens que tinham tudo para se odiar, um se auto desprezava, o outro corria atrás do que queria e não se importava com o estilo de ninguém, não julgava ninguém sem realmente conhecê-lo e principalmente era ingênua e boa ao ponto de fazer com que quer que fique ao seu lado se sentisse bem.

Então sejamos como a Tim! Livres! Corramos atrás de nossos sonhos! Paremos de ligar para o que os outros pensam de nós, porque bem na boa pessoal, julgar alguém pela roupa que veste, pela cor do cabelo, da pela, pela sua orientação sexual é uma grande hipocrisia!

Não temos esse direito, muito pelo contrário temos que respeitar a todos sem julgamentos, temos que ter empatia! E conforme as páginas, os capítulos passavam a história em si se desenrolava, líamos nas entrelinhas e bem na cara também, tudo isso que citei acima, a Babi simplesmente desenvolveu uma obra brilhante e linda.

Ela nos mostrou o que a música faz por nós, como as pessoas são e como elas deveriam ser, agir, vivemos no mesmo mundo, corremos atrás de nossos sonhos, deveríamos prestar mais atenção a nós, do que a vida dos outros.

Sonata em Punk Rock é muito mais do que a sua sinopse diz, é muito mais do que só a história de duas pessoas, a história da Tim. É a nossa história, é a história dos amigos da Tim que eram “estranhos” e felizes como eram, com o que tinham, sofreram e ainda sofrem na vida. Dinheiro pode facilitar muitas coisas nas nossas vidas, mas não é tudo e a história da Sarah nos prova isso.

Enfim falei demais no final das contas como sempre, mas indico gritando aos quatro ventos LEIAM esse livro, se surpreendam com a história da Babi Dewet e reflitam sobre suas próprias vidas conforme o decorrer da obra!

Antes que eu me esqueça, não tenho a mania de falar sobre a diagramação dos livros ou sobre suas capas, acabo falando mais sobre o que senti e aprendi com suas histórias do que isso.

Mas esta obra merece um destaque em diagramação e capa, pois a cada intervalo da história encontramos uma nota musical, a cada capítulo temos o nome de uma música de rock, clássica ou até mesmo de K-pop. E a capa então, descreve com todas as letras, ou melhor, imagens a história desse livro.

Ah já tava esquecendo, notamos o amor da autora pela cultura coreana nesse livro e não nego que até eu fui contagiada por isso! (risos), Não se esqueçam de que no final do livro tem a playlist da história para escutamos no Spotify!

Espero que tenham gostado da dica, quem já leu me contem o que acharam e quem não leu, não percam tempo e vão ler! 

E me desculpem por ter dado voz aos meus pensamentos, durante a resenha, mas com certeza quem já leu esse livro, entenderá tudo o que citei durante a resenha, abaixo deixa a foto de dois capítulos que descrevem muito o que amo e o que penso!



Até a próxima pessoal!

Bjss, Nay =D