Projeto Poetas Urbanos: Ester Barroso

Oie pessoal! Falta um Poeta só para finalizarmos o projeto, foram tantos que perdi as contas durante os meses! (risos) 

A penúltima Poetiza a ser apresentada é a Ester, esse artigo não vai ter poemas dela, pois as autorias dela na página são escritas e não por imagens, mas quem tiver interesse e curiosidade os links estão abaixo para vocês conhecerem os poemas dela!

Ester Barroso, 21 anos, Queimadas/PB, Moça, você é mais poesia que mulher / Elas na Literatura 

Facebook: Moça, você é mais poesia que mulher   Facebook: Elas na Literatura

A primeira pergunta que fazemos para a Ester é em que momento ela começou a escrever:

"Comecei a escrever há dois anos, por causa de um amor que tive, que me inspirou a escrever versos pra me declarar. Hoje continuo com a poesia. rs"


Questionamos em seguida o porque que ela escreve e Ester nos responde: 
"Escrevo porque é uma forma de ter um pé na lua e outro no chão, enquanto o mundo me sufoca, e escrever, a literatura, as letras são meu gás oxigênio."
Perguntamos então o porque que ela continua escrevendo:
"O que me leva a continuar escrevendo é o fato de só a vida comum não bastar, não fazer sentido sozinha. - responde Ester."
Questionamos então o porque do nome da página dela:
"Achei o nome da página numa imagem "solta" no Tumblr. Na época eu administrava uma página da minha prima, mas queria algo que abrangesse a literatura, coisas sentimentais, música, cultura nacional, etc. Então a criei. Mas ainda continuo procurando o(a) autor(a) do nome (favor, aparecer)."
Perguntamos então de onde vinham suas inspirações e Ester nos responde:
"Inspiração vem de toda parte, desde uma simples folha caindo, até assuntos sociais, minha terra nordestina, feminismo, amores, etc."
Questionamos então se ela tinha alguma poesia favorita:
"Eu não tenho um poema favorito. Não consigo ter nada favorito, desde filmes, comida, música, cores, etc. Não consigo ser uma, quando posso ser várias, estar em vários... Mas consigo ter combos de várias coisas favoritas, divididas por temas, como os citados, isso deve valer de alguma coisa. rs"
Perguntamos se ela já havia pensado em lançar um livro de poesias:
"Sim, planos para livros é o que não faltam. Em breve lançarei uma antologia com um grande amigo, o Douglas Jefferson, e tenho em mãos a produção de um individual, de cunho mais regional e feminista, em prosa."
Questionamos então como era ser colunista em uma página de poesias, junto com outros poetas:
"Ser colunista de uma página poética juntamente com outros poetas é inspirador. Temos estilos de escrita diferentes, mas unindo a todos num cantinho só acaba se tornando um leque de diferentes sentimentos, ideias, visões, corações. Os seguidores acabam tomando uma "cápsula" daquilo que deseja absorver e inspirar-se. Eu gosto muito disso."
Por último perguntamos a Ester, qual era seu poeta favorito da atualidade e ela nos responde:

"Eu confesso que minha inspiração inicial e ainda grande parte dela hoje advém da poesia e literatura antigas. Mas alguns dos que mais me inspiram hoje, sem dúvida, são a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi, uma das minhas maiores inspirações feministas, e também alguns amigos, dos quais admiro seus escritos, como os do próprio Douglas Jefferson, que me remete à poesia parnasiana, e do Sheyden Souza, da poesia marginal. Mas é onde também não posso destacar poucos, pois não lido muito bem com favoritismo, como já mencionei. rs"
Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais da Ester, e abaixo deixo o material do inédito cedido para o RT!

Inédito: inevitável coleta de suspiros
(baseado numa história real)

a passagem do tempo é implacável.
ontem a criança jogava bolinhas de gude 
em pequenas covas nos pés das paredes.
onde tilintavam e acumulava suas porções 
nos bolsos do calção furado nos joelhos. 
pulava corda, elástico, pedalava até a esquina
onde via os olhos
de Leonardo beijando a imagem de Carolina ao longe,
e onde Marcinha intermediava os bilhetes dos jovens
muito jovens,
e tenras e eternas e puras 
juras de amor adolescente. 

os velhos, ah, os velhos... 
doses antigas de um pouco de tudo.
pede-me para trançar seus cabelos, a Ana.
trazer seu copo d’água durante a noite, quando
a artrite não lhe permite mais os passos longos.
mas derramaram-se suas lembranças. 
sumiram.
da mente para cima, num breu cósmico de ministérios
que passam catando as memórias acumuladas, 
o excesso de muita vivência. 
as já passadas ainda preservam-se, pois estão no fundo
do copo memorial. Somente as recentemente dispostas
caem para fora do copo. 

o câncer. o câncer que corrói as entranhas de um objeto.
da Ivete. 
não são mais como antes os seres que sentavam embaixo
das sombras dos pés de castanhola a prosear
a verem-me brincar, de mãos dadas com a despreocupação
e desocupação de criança que nada teme, 
que nada prevê, que nada imagina
mas tudo sonha. e todo irreal é enigmático.

que eu não seja, Senhor, aquela anciã
que, deitada ou de pé, apenas assiste ao transcorrer
de uma vida já não mais amiga de viagem, somente
aquela que passa diante das vistas míopes a cumprimentar
levando pelas mãos as crianças de um futuro banhado
de novas esperanças, de sorrisos virgens, dores intactas
e crenças sólidas, que dão as caras ao deitar no travesseiro
falando ao pé da mente que, ser adulto é tão apenas
ser forte, ter fé 
e lutar, lutar e lutar, lutar pelo que se quer.